sábado, 7 de junho de 2014

Leiturabilidade textual


Trabalho apresentado na II Jornada 2ª Jornada sul-brasileira de neuropsicologia (PURCS 2014)


ANÁLISE DA LEITURABILIDADE TEXTUAL PARA A PESQUISA COGNITIVA

Lucilene Bender de Sousa
Lilian C. Hubner

A análise da leiturabilidade consiste na avaliação do nível de dificuldade da leitura dos textos. Esse é um ponto crucial para a construção de diversos tipos de experimentos psicolinguísticos que envolvem o processamento discursivo. Entretanto, os métodos utilizados para a seleção e comparação dos textos que compõem os estímulos de pesquisas cognitivas apresentam limitações. Os quantitativos, como as fórmulas de leiturabilidade, são eficientes na avaliação dos textos, especialmente as que consideram a frequência das palavras; porém, não capturam aspectos pragmáticos e a maioria foi desenvolvida para ser aplicada à língua inglesa. Entre os métodos qualitativos, o mais empregado são as avaliações por juízes que conseguem perceber importantes aspectos da linguagem ignorados pelos números e fórmulas, no entanto, contam com o forte fator subjetivo. Este trabalho apresenta o método utilizado para a análise da leiturabilidade de textos que compuseram tarefas de avaliação da compreensão leitora de alunos do último ano do Ensino Fundamental. Foram analisadas estatisticamente diversas métricas obtidas por meio do Coh-metrix do português brasileiro, entre elas: Fórmula de Flesch, frequência média e mínima de palavras, número de palavras, conectivos, verbos e substantivos. Além disso, foi aplicado o novo método de cálculo da densidade proposicional de textos desenvolvido por Chand e colegas (2012). As proposições são representações de sentido não linguísticas (KINTSCH, 1998), sendo uma proposição uma unidade de sentido. A densidade proposicional é obtida através do cálculo do número de proposições para cada dez palavras do texto. Quanto maior o número de proposições e menor o número de palavras, mais denso e complexo é o texto. Por meio desse método foi realizada a comparação da leiturabilidade dos textos empregados na avaliação da compreensão leitora, de forma a selecionar os que apresentavam nível semelhante de dificuldade. O uso do método da densidade proposicional mostrou-se uma importante complementação das métricas do Coh-metrix uma vez que prioriza a análise do conteúdo semântico do texto. Contudo, é necessário um maior número de aplicações do método à avaliação da leiturabilidade textual para que se obtenham parâmetros numéricos que sirvam como referência para a análise da complexidade proposicional dos textos em pesquisas cognitivas.


Palavras-chaves: método, leiturabilidade, métricas, densidade proposicional, pesquisa cognitiva.

Referência

CHAND, V.; BAYNES, K.; BONNICI, L.; FARIAS, S. T. A rubric for extracting idea density from oral language samples. Current Protocols in Neuroscience, unit 10, 2012.

KINTSCH, W. Comprehension: a paradigm for cognition. Cambridge: Cambridge University Press, 1998.

sábado, 26 de abril de 2014

Cérebro e alfabetização

A emergência da especialização cerebral para a leitura de palavras

Ivanete Mileski
Lucilene Bender de Sousa


A ciência da leitura é ainda jovem, no entanto, o estudo dos processos cerebrais que ocorrem durante a leitura tem evoluído muito a partir do surgimento das neurociências. Se, antes, estudar a cognição da  leitura  era  quase  um  exercício  imaginativo,  hoje  temos  recursos tecnológicos como fMRI e ERP para auxiliar na desafiadora tarefa de entender o que acontece no cérebro enquanto lemos. Ao contrário do que muitos possam pensar, não estamos falando de uma ciência inacessível ou inaplicável. As poucas décadas de estudo já trazem resultados  capazes  de  auxiliar  na  educação,  indicando  caminhos  para  um ensino da leitura menos instintivo e mais efetivo.

Neste artigo, inicialmente, mencionamos o que importantes pesquisas revelaram sobre a área da forma visual da palavra, suas características  e  seu  papel  exclusivo  na  leitura.  Em  seguida,  descrevemos estudos de uma equipe de pesquisadores cujo interesse foi investigar: quando emerge a especialização da região occípito-temporal esquerda para  a  leitura;  como  ocorre  o  desenvolvimento  dessa  especialização em  crianças, adolescentes  e  adultos  saudáveis e  disléxicos;  e  em  que condições emerge essa especialização. Por fim, discutiremos as implicações pedagógicas dos resultados desses estudos.

Este é o resumo do capítulo que integra o e-book Tecendo Conexões: cognição, linguagem e leitura publicado com trabalhos apresentados na VI Conferência Linguística e Cognição e VI Colóquio Leitura e Cognição realizados na UNISC (Universidade de Santa Cruz do Sul) em 2013.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Leitura - narrativa visual

O trabalho com a leitura ultrapassa o texto escrito. Volto a lembrar a importância de ensinar e praticar a leitura de textos orais e também visuais. A compreensão é um processo cognitivo amplo que não se restringe à língua escrita. Por meio da narrativa visual, por exemplo, é possível trabalhar estratégias de leitura como a previsão e inferenciação. Pode-se também adotar uma abordagem literária e pedir para os alunos "transformarem" a narrativa visual em narrativa textual. Isso abriria espaço criativo em que se pode explorar a superestrutura da narrativa e as possibilidades linguísticas, o jogo com as palavras.
 
Aqui está uma sugestão para quem quiser começar

A Maior Flor do Mundo | José Saramago


domingo, 16 de fevereiro de 2014

Ler altera seu cérebro

Altera para melhor, claro. Ler faz com que seu cérebro fique mais ágil na arte de compreensãodo texto e ainda te transporta para dentro do corpo do protagonista. Transporta de verdade,biologicamente, como se você estivesse nadando, correndo ou fugindo.
Para descobrir, os pesquisadores da Universidade Emory convidaram 19 voluntários para o teste. Durante cinco dias, eles escanearam o cérebro de todos. A partir do sexto dia, os participantes começaram a leitura de Pompeii, de Robert Harris. Ao longo de nove dias todos tinham de ler 30 páginas por noite – e eles eram cobrados: para provar que liam mesmo, respondiam diariamente a questionários sobre a obra do autor inglês. E, todas as manhãs, eles tinham de ir até o laboratório para tirar imagens do cérebro. Ao fim do período de leitura, os cientistas ainda pediram a eles para que voltassem por mais cinco dias, para escanear outra vez o cérebro.
Bem, a maratona de exames de ressonância magnética serviu para mostrar o que acontece no cérebro de quem lê. Há um aumento entre as conexões no córtex temporal esquerdo, associado à capacidade de compreensão da linguagem. Mudanças em outras conexões sugerem ainda que o cérebro do leitor, durante um pensamento sobre a ação (durante ou após a leitura de um trecho), imite essa conectividade, como se a ação real. Ou seja, o simples fato de pensar em nadar, correr, ou pular pode desencadear as mesmas conexões neurológicas que uma atividade física.
“As alterações neuronais que descobrimos associadas com a sensação física e os sistemas de movimento sugerem que ler um romance pode transportar você para o corpo do protagonista”, explica Gregory Berns, um dos autores da pesquisa. “Nós já sabíamos que boas histórias podiam colocar você no corpo de alguém, no sentido figurado. Agora estamos vendo que alguma coisa pode estar acontecendo biologicamente”.
Os pesquisadores só não sabem dizer por quanto tempo, após o fim da leitura, esses efeitos permanecem. Pra não perder nada, melhor, então, ler um livro atrás do outro.
 30 de janeiro de 2014

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

4º Blogs/sites interessantes

Rádio Pipoca

http://www.radiopipoca.com.br/web/radio_pipoca

Nesse site encontramos narrativas em áudio para crianças e adolescentes. Há histórias,  em versão adaptada, da mitologia grega, indiana, japonesa, indígena, entre outras. É um ótimo recurso para os professores que desejam trabalhar com narrativas e expandir os conhecimentos culturais dos alunos. É claro, não se pode esquecer de trabalhar a linguagem e o vocabulário, incitando a turma a pensar e conversar sobre as palavras. Lembramos que também é importante trabalhar a compreensão de textos orais por meio de questionamentos e debates.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Era uma vez


Grande parte do ensino da leitura é motivação. A literatura é uma forte aliada quando queremos encantar nossos alunos. Aqui está uma dica de site com "70 contos de autores consagrados escritos para crianças, jovens e adultos publicados na Nova Escola."


Leitura mediada: No livro "Aprendendo palavras através da leitura" contamos a nossa experiência de leitura mediada com as crianças. Descobrimos que os alunos aprendem mais quando participam da leitura e se envolvem com as palavras. Nossa sugestão é dar a eles a oportunidade de ler os textos em silêncio, e depois, escutar a leitura da professora acompanhada de pausas para conversar e refletir sobre as palavras interessantes que vão encontrando ao longo da história. Perguntas como: o que significa essa palavra no texto? Que outro sentido essa palavra pode ter? Ajudam os alunos a construírem conhecimento em conjunto e os estimula a querer aprender cada vez mais sobre palavras e textos.

domingo, 27 de outubro de 2013

Como avaliar o nível de dificuldade dos textos

Muitas vezes nós professores escolhemos os textos para trabalhar com os alunos de modo instintivo. Lemos e tentamos avaliar se parece adequado ou não para determinada idade ou ano escolar. O problema desse tipo de seleção está justamente no nível de proficiência que nós professores temos e na dificuldade de colocar-se no lugar dos alunos. Recentemente foi desenvolvido um software que avaliar a inteligibilidade ou leiturabilidade de textos. Ele está disponível no site http://www.nilc.icmc.usp.br/porsimples/simplifica/ e pode ser utilizado de forma gratuita. A principal finalidade dessa ferramenta é na verdade simplificar textos de forma a tornar o acesso à informação mais fácil para leitores com dislexia e dificuldades de compreensão.

O site faz parte de um projeto chamado Porsimples http://www.nilc.icmc.usp.br/porsimples/index.php/Tools e inclui muitos outros recursos como por exemplo o Coh-Metrix, capaz de analisar textos por meio de 34 métricas como número de proposições, frequência média de palavras no texto, anáforas, etc.

Os recursos criados pelo Porsimples podem ser utilizados não só para pesquisa linguística, mas também para fins pedagógicos. Vale a pena conferir.