quinta-feira, 7 de março de 2019

Formação de leitores

Neste excelente vídeo https://www.youtube.com/watch?v=DUbDl--B4Uk&t=2s Denise Guilherme fala sobre a formação de leitores, em especial, de professores leitores. Além disso, ela apresenta brevemente o seu blog A Taba que possui dicas para pais e professores para incentivo da leitura.

segunda-feira, 19 de março de 2018

O LUGAR DA FALA E SEUS GÊNEROS NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Resumo: Neste trabalho, buscamos inicialmente refletir sobre como a fala vem sendo abordada na escola. Em seguida, apresentamos brevemente a concepção que diferentes correntes teóricas como a enunciação, os atos de fala e a sociolinguística têm sobre a fala e seu papel social, buscando assim embasamento para o ensino mais efetivo dos gêneros orais nas aulas de Língua Portuguesa. Por fim, abordamos o potencial metodológico do interacionismo para o ensino da fala e as possibilidades de trabalho com seus diferentes gêneros. Entendemos que a comunicação oral ainda é a principal forma de interação do homem na sociedade e por isso não pode ser negligenciada pela escola. 

Artigo completo disponível em http://periodicos.unitau.br/ojs-2.2/index.php/caminhoslinguistica/article/view/2220/1766

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O perfil do leitor com dificuldades de compreensão e do bom leitor

As  pesquisas  que  visam  explicar  as  dificuldades  de  leitura  muitas  vezes  não
conseguem identificar uma homogeneidade no perfil de leitores com dificuldades
de compreensão (LDC) cuja principal característica  é o déficit na compreensão
leitora apesar de sua boa decodificação. A maioria  das investigações exploram os
fatores  cognitivos  como  memória  e  vocabulário.  Poucas  se  interessam  em
identificar  o  perfil  dos  LDC  através  da  avaliação  de  outros  aspectos  como  os
hábitos de leitura. Neste trabalho, buscamos traçaro perfil de LDC e compará-lo
com o perfil de bons leitores (BL) de modo a poder  verificar se além das diferenças
de  desempenho,  já  conhecidas,  os  grupos  também  se  distinguem  em  outros
aspectos relacionados à leitura. A partir da seleção, que envolveu a avaliação da
leitura  de  palavra  isolada  e  a  avaliação  da  compreensão  de  texto  escrito,
identificamos 49 BL e de 37 LDC dentre 336 estudantes de 8ª série. A investigação
do  perfil  dos  grupos  foi  realizada  por  meio  de  um  questionário  escrito  que  os
próprios participantes responderam. Os dados revelaram diferença na experiência
dos grupos com a leitura, sendo essa significativa  na autoavaliação, interesse,
frequência de leitura e número de livros lidos. Confirmamos que os LDC têm um
perfil mais heterogêneo do que os BL, o que torna difícil a generalização de suas
características. Além disso, verificamos a existência de correlação positiva entre
o  desempenho  em  compreensão  leitora  e  o  número  de  livros  lidos  pelos
estudantes. Por fim, constatamos que o questionárioé um importante instrumento
de pesquisa que pode auxiliar na compreensão das diferenças entre BL e LDC,
necessitando  ser  expandido  futuramente  para  orientar  tanto  estudos  teóricos
quanto intervencionistas e até mesmo a prática pedagógica.

Resumo publicado em:
(Per)cursos (Inter)disciplinares em Letras :: ISSN 2175-1978 :: UNISC, 2017
http://www.unisc.br/site/coloquio2017/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Diferentes visões e componentes da compreensão leitora



Profa. Dra. Lucilene Bender de Sousa
Profa. Dra. Lilian Cristine Hübner

A compreensão é um processo cognitivo amplo que ocorre em diferentes níveis de consciência quando nos deparamos com fatos, movimentos, objetos, imagens, sons, letras, etc. Assim que nossos órgãos capturam esses sinais externos, nosso cérebro parece buscar um sentido para eles, o que ocorre principalmente por meio da conexão desses sinais com nossas memórias, conhecimentos e experiências prévias. Parece que estamos sempre tentando reconhecer padrões. Um exemplo disso é quando vemos um desenho e tentamos determinar com o que ele se parece. A compreensão, portanto, depende muito da memória e das relações que estabelecemos entre o novo e o velho. De certa forma, pode ser considerada subjetiva, já que depende das experiências, as quais são únicas para cada indivíduo. Ao mesmo tempo, também pode ser coletiva porque o indivíduo é constantemente influenciado pelo meio social onde vive e faz a sua história. A compreensão em seus múltiplos aspectos cognitivos e sociais, subjetivos e racionais, é um processo que perpassa muitas tarefas cotidianas, desde a comunicação oral, a leitura, a escrita, o cálculo, até o aprendizado de modo geral.
Apesar de sua amplitude, a compreensão é pouco estudada fora da modalidade escrita, na qual se (con)funde com a noção de leitura. A compreensão em leitura se diferencia das demais por sua especificidade linguística. Mas o que é, afinal, a leitura? Existem muitos conceitos de leitura dependendo do ponto de vista que se adota: linguístico, cognitivo, social, literário, fenomenológico, etc. (LEFFA, 1996). Nossa visão fundamenta-se nas interfaces da psicologia cognitiva com a linguística, em uma área denominada psicolinguística. Por meio dessas interfaces, buscaremos abordar as questões introdutórias sobre o tema: seria a leitura apenas o reconhecimento das palavras, como sugere Kamhi (2009b)? Seria apenas a compreensão, a construção de sentido, como propõe Smith (2003)? Ou seria uma combinação dessas duas habilidades, como indica a Visão Simples da Leitura (Simple View of Reading) de Gough e colegas (1996)? Teoricamente, as posturas com relação à leitura e à compreensão variam das mais restritas às mais abrangentes, como explicamos a seguir.

O TEXTO NA ÍNTEGRA ESTÁ PUBLICADO NO LIVRO: 

http://www.insular.com.br/loja3/product_info.php/products_id/1060

 



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Artigo sobre falsas memórias, leitura e escrita

Complementary Cognitive and Social Perspectives in the Study of False Memory in Reading and Writing

Onici Claro Flôres, Rosane Maria Cardoso, Lucilene Bender de Sousa 


This paper aims to discuss the interdisciplinary nature of memory research, exploring how cognitive and social approaches can be complementary in the study of memory, reading, and writing. We discuss two different phenomena to state our hypothesis: thematic distortions of reading texts and testimonial literature, and writing process about authoritarianism, social violence, and destruction. At the beginning, we introduce reading and memory in cognitive and social perspectives. After that, we explain implicit false memories and social memory. Finally, we suggest that to (re)construct social life it is necessary to compare different individual memories about it taking conclusions through the confrontation of various versions. In this way, remembering what happens is also a social matter, not an individual one, exclusively. To conclude, we propose that strong false memories that affect individual’s reasoning may result in text theme distortions or elaborations of new versions for some social event.


Key Words: false memories, social memory, reading, writing, thematic distortions, testimonial literature.


Acesso ao artigo em:
http://ijllnet.com/journal/index/2290

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A relação entre compreensão leitora, conhecimento e integração léxico-semântica (tese)

A tese foi defendida em novembro de 2015 e está disponível no site http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/7740


RESUMO: A leitura é uma das principais formas de aquisição do conhecimento. Inicialmente a criança aprende a ler e depois lê para aprender, por isso o ensino da leitura é um dos objetivos centrais da educação formal. Entretanto, sabe-se que muitos estudantes chegam ao final do Ensino Fundamental com sérias dificuldades em leitura. As pesquisas nacionais têm concentrado esforços na investigação dos problemas de alfabetização, porém, poucas têm se dedicado ao estudo das dificuldades de compreensão leitora. Diante dessa carência, esta tese busca investigar a relação entre compreensão leitora, conhecimento e integração léxico-semântica em leitores do último ano do Ensino Fundamental de escolas públicas. Apesar de alguns estudantes ainda apresentarem problemas na leitura de palavras nos anos escolares finais, sabe-se que para a maioria a compreensão textual é o grande desafio, uma vez que interfere no desempenho de todas as disciplinas escolares. Mas por que alguns leitores, embora decodifiquem bem, não compreendem o que leem? Pesquisas apontam para a possibilidade de existência de déficit léxico-semântico em leitores com dificuldades de compreensão (NATION; SNOWLING, 1998; PERFETTI; HART, 2002). Para investigar essa questão, três estudos foram realizados: o Estudo A averiguou a profundidade do conhecimento de vocabulário, memória semântica implícita e habilidade de processamento léxico-semântico em bons leitores e leitores com dificuldades de compreensão; o Estudo B examinou o desempenho dos dois grupos em duas tarefas de integração léxico-semântica; e o Estudo C investigou se os leitores com dificuldades de compreensão respondem melhor a questões de compreensão leitora quando essas são antecedidas de glossário e tarefa de integração léxico-semântica. Os resultados confirmaram a hipótese de déficit léxico-semântico ao revelarem que tanto a profundidade do conhecimento do vocabulário quanto a habilidade de processamento e integração léxico-semântica foram significativamente inferiores em leitores com dificuldades de compreensão. No entanto, não corroboraram a existência de diferenças na memória semântica implícita, uma vez que ambos os grupos exibiram efeito de priming semântico. Os leitores com dificuldades de compreensão se beneficiaram da realização de tarefas de integração léxico-semântica acompanhada de glossário, bem como de integração global antes de responderem a questões de compreensão, exibindo maior percentual de acertos nessas condições quando comparadas a uma tarefa controle. Esta tese contribui para a pesquisa das dificuldades de compreensão em leitura, especialmente no Brasil, onde essa área de estudo ainda é pouco desenvolvida. Além disso, incita uma discussão de possíveis caminhos de intervenção pedagógica, servindo de fonte de consulta para docentes que buscam entender as dificuldades de compreensão leitora de seus alunos e auxiliá-los a superá-las.

ABSTRACT: Reading is one of the main ways of acquiring knowledge. Initially, children learn to read and then they read to learn, for this reason literacy is one of the central goals of formal education. However, it is acknowledgeable that a lot of students have serious reading problems at the end of Elementary School. National research has concentrated efforts in investigating literacy problems, but little research has been dedicated to the study of reading comprehension difficulties. Towards this need, this thesis aims at investigating the relationship between reading comprehension, lexical-semantic knowledge and integration in students from public schools at the end of the Elementary education. Although some students still have problems with word reading at the last year of school, their major challenge is text comprehension, since it interferes with performance in all school subjects. But why do not some readers, despite their good decoding skill, understand what they read? Research points to the possibility of a lexical-semantic deficit in poor comprehenders (NATION; SNOWLING, 1998; PERFETTI; HART, 2002). Based on this assumption, three studies were conducted: Study A inquired into the depth of vocabulary knowledge, implicit semantic memory and lexical-semantic processing skill of good and poor comprehenders; study B examined the group’s performance in two tasks requiring lexical-semantic integration; and study C investigated whether poor comprehenders provide better response to comprehension questions when they are preceded by a glossary and a lexical-semantic integration task. The results confirmed the lexical-semantic deficit hypothesis since the depth of vocabulary knowledge as well as the ability of word-to-text integration were significantly inferior in poor comprehenders as compared to good ones.Nevertheless, the results did not corroborate implicit memory differences as both groups benefited from lexical-semantic integration task followed by a glossary, as well as from a global integration task before answering comprehension questions; they exhibited better comprehension in these tasks when compared to a control one. This thesis contributes to reading comprehension difficulties research, especially in Brazil, where this study field is still underdeveloped. Moreover, it urges the discussion on possible pedagogical interventions, serving as a reference for teachers that seek to understand their students’ reading comprehension difficulties and help them.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Does the mental lexicon exist?

Does the mental lexicon exist?

 Lucilene Bender de Sousa
Rosângela Gabriel


Resumo: Um dos componentes mais centrais e intrigantes do processamento da linguagem para os pesquisadores é o léxico mental. O termo foi usado pela primeira vez por Ann Triesman em 1961 e até o momento não temos respostas claras sobre como ele é estruturado e quanta informação contém, ou mesmo se existe algo a ser chamado de léxico mental. Durante algum tempo, o léxico mental foi comparado a um dicionário mental, responsável por armazenar e organizar o conhecimento de palavras; entretanto, certamente há distinções em termos de estrutura e quantidade / qualidade de informação armazenada. Alguns pesquisadores acreditam que existem vários léxicos, um para cada nível de informação (ULLMAN, 2007): léxico ortográfico, fonológico, semântico e sintático. Outro grupo de pesquisadores (MCCLELLAND; ROGERS, 2003; SEIDENBERG, 1997, etc.) defende a existência de apenas um léxico no qual todos os níveis de informação estão integrados. Recentemente, Elman (2009) apresentou uma nova e audaciosa proposta: a inexistência do léxico mental. Neste artigo, discutimos as diferentes perspectivas de estrutura e conteúdo do léxico mental com o propósito de questionar a arquitetura do conhecimento lexical no cérebro em contrapartida ao que pode ser conscientemente concebido como conhecimento lexical do falante. Procuramos dar continuidade à discussão proposta por Elman e confrontá-la com dados obtidos por estudos comportamentais, computacionais e de neuroimagem. Esta revisão teórica explica brevemente a evolução das concepções sobre o léxico mental desde a proposta da analogia ao dicionário até a proposta de sua inexistência.

Palavras-chave: conhecimento linguístico; léxico mental; arquitetura em rede; processamento da linguagem; descrição da linguagem.

Abstract: One of the central and most intriguing components of language processing to researchers is the mental lexicon. The term was used for the first time by Ann Triesman in 1961 and we still do not have clear answers on how it is structured and how much information it contains, or even if there is something to be called a mental lexicon. For some time, the mental lexicon has been compared to a mental dictionary both storing and organizing word knowledge; however, they are surely different in structure and quantity / quality of information. Neuroimaging studies have also tried to bring contributions to these questions. Some researchers believe that there are many lexicons, one for each level of stored information (ULLMAN, 2007): orthographic, phonological, semantic and syntactic lexicons. Another group of researchers (MCCLELLAND; ROGERS, 2003; SEIDENBERG, 1997, etc.) postulates the existence of only one lexicon where all information levels are integrated. Recently, a new audacious proposal has been done by Elman (2009), the inexistence of a mental lexicon. In this paper, we discuss the different views of the mental lexicon structure and content, in order to question the architecture of the lexical knowledge in the brain as opposed to what can be consciously thought as the speaker’s lexical knowledge. We try to proceed on the discussion of Elman’s new proposal and confront it to data obtained by behavioral, neuroimaging and computational studies. This theoretical review briefly explains the evolution of the mental lexicon conceptions from the dictionary-like to the no-lexicon proposal.

Keywords: linguistic knowledge; mental lexicon; network architecture; language processing; language description.

Artigo completo publicado na Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v. 23, n.2, p. 335-361, 2015 http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/5642