quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

4º Blogs/sites interessantes

Rádio Pipoca

http://www.radiopipoca.com.br/web/radio_pipoca

Nesse site encontramos narrativas em áudio para crianças e adolescentes. Há histórias,  em versão adaptada, da mitologia grega, indiana, japonesa, indígena, entre outras. É um ótimo recurso para os professores que desejam trabalhar com narrativas e expandir os conhecimentos culturais dos alunos. É claro, não se pode esquecer de trabalhar a linguagem e o vocabulário, incitando a turma a pensar e conversar sobre as palavras. Lembramos que também é importante trabalhar a compreensão de textos orais por meio de questionamentos e debates.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Era uma vez


Grande parte do ensino da leitura é motivação. A literatura é uma forte aliada quando queremos encantar nossos alunos. Aqui está uma dica de site com "70 contos de autores consagrados escritos para crianças, jovens e adultos publicados na Nova Escola."


Leitura mediada: No livro "Aprendendo palavras através da leitura" contamos a nossa experiência de leitura mediada com as crianças. Descobrimos que os alunos aprendem mais quando participam da leitura e se envolvem com as palavras. Nossa sugestão é dar a eles a oportunidade de ler os textos em silêncio, e depois, escutar a leitura da professora acompanhada de pausas para conversar e refletir sobre as palavras interessantes que vão encontrando ao longo da história. Perguntas como: o que significa essa palavra no texto? Que outro sentido essa palavra pode ter? Ajudam os alunos a construírem conhecimento em conjunto e os estimula a querer aprender cada vez mais sobre palavras e textos.

domingo, 27 de outubro de 2013

Como avaliar o nível de dificuldade dos textos

Muitas vezes nós professores escolhemos os textos para trabalhar com os alunos de modo instintivo. Lemos e tentamos avaliar se parece adequado ou não para determinada idade ou ano escolar. O problema desse tipo de seleção está justamente no nível de proficiência que nós professores temos e na dificuldade de colocar-se no lugar dos alunos. Recentemente foi desenvolvido um software que avaliar a inteligibilidade ou leiturabilidade de textos. Ele está disponível no site http://www.nilc.icmc.usp.br/porsimples/simplifica/ e pode ser utilizado de forma gratuita. A principal finalidade dessa ferramenta é na verdade simplificar textos de forma a tornar o acesso à informação mais fácil para leitores com dislexia e dificuldades de compreensão.

O site faz parte de um projeto chamado Porsimples http://www.nilc.icmc.usp.br/porsimples/index.php/Tools e inclui muitos outros recursos como por exemplo o Coh-Metrix, capaz de analisar textos por meio de 34 métricas como número de proposições, frequência média de palavras no texto, anáforas, etc.

Os recursos criados pelo Porsimples podem ser utilizados não só para pesquisa linguística, mas também para fins pedagógicos. Vale a pena conferir.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Pesquisa em leitura

O Prof. Charles Perfetti que tem me orientado no doutorado sanduíche na Universidade de Pittsburgh é certamente um dos pesquisadores mais citados na pesquisa em leitura. Sua área de interesse abrange compreensão leitora, aprendizado de novas palavras, aprendizado de segunda língua e comparação da leitura em diferentes sistemas de escrita. Grande parte de suas publicações estão disponíveis no site http://www.pitt.edu/~perfetti/charles-perfetti.htm. Vale a pena conferir.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

5º EXTRATOS

"Além das diferenças de quantidade e densidade de vocabulário existentes na língua oral e escrita, destacamos também a diferença de demanda de atenção e consciência exigidas pela leitura, que requer um movimento mais lento, de pensar a língua, integrar e compor as ideias expressas nas palavras." pg. 17

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Doutorado sanduíche no LRDC

O LRDC Learning Research and Development Center é o Centro de Pesquisa em Aprendizado e Desenvolvimento da Universidade de Pittsburgh - EUA. Este ano completa 50 anos de existência. Tenho o privilégio de estar atualmente fazendo meu doutorado sanduíche neste centro sob orientação do Prof. Charles Perfetti (http://www.pitt.edu/~perfetti/charles-perfetti.htm). Minha tese será sobre "Dificuldades de compreensão em leitura em nível léxico-semântico".  Abaixo fotos do LRDC e o site.







quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Língua: uma expressão de cultura e poder

Lucilene Bender de Sousa *
lenebender10@gmail.com
Em janeiro deste ano tive o prazer de ser contemplada com uma bolsa de qualificação para professores de inglês da rede pública de ensino, oferecida pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e Fulbright (Comissão para intercâmbio educacional entre os Estados Unidos e o Brasil). Estudei por seis semanas na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. Sonhava há muitos anos com essa oportunidade. Aproveito este espaço para compartilhar um pouco do que aprendi sobre o que é mesmo uma língua, no período em que convivi com os americanos do norte.
A língua é uma forma de expressão cultural. Ela não só identifica diferentes grupos sociais como tem sua significação constituída através das relações entre eles. No Brasil, por exemplo, percebemos em cada estado diferentes marcas culturais como o sotaque e o vocabulário. Nos Estados Unidos, o que mais me chamou a atenção foi a variedade falada pelos afro-americanos, chamada de African American Vernacular English. Após estudar e ensinar inglês por vários anos, um dos maiores desafios foi entender o inglês falado pelos afro-americanos. No curso de qualificação, conversamos com a professora Adele Proctor, especialista no estudo dessa variedade. Ela explicou que o African American Vernacular English não é uma língua diferente, nem um dialeto. É uma variedade linguística com algumas características próprias do grupo pelo qual é utilizada. Distingue-se do inglês padrão em oito pontos que incluem diferenças de pronúncia, conjugação verbal, formação de plurais e uso do genitivo. 
Além das diferenças linguísticas, também conversamos sobre questões socioculturais relacionadas aos afro-americanos. Nos Estados Unidos, a escravidão terminou em 1865. A libertação dos escravos foi alcançada à custa de muito sangue. Foi ela a principal razão da Guerra Civil americana (1861 a 1865). Abraham Lincoln, então presidente dos Estados Unidos, foi o principal responsável por essa conquista. Derrotados, os sete estados do sul que queriam a permanência da escravidão tiveram que ceder. No entanto, os rancores decorrentes do conflito permaneceram por longos anos, traduzindo-se em preconceito acirrado. Quase um século depois, em 1955, Martin Luther King iniciou o movimento pelos direitos dos afro-americanos (African-American Civil Rights Movement) que tinha como principal lema a não violência e a defesa de direitos iguais a todos os americanos. Os negros reivindicavam, por exemplo, poder frequentar as mesmas escolas e os mesmos restaurantes dos brancos, ter o direito de assento em todos os ônibus e poder votar e ser votado. Hoje, muitas coisas mudaram. Os afro-americanos conquistaram igualdade de direitos e assumiram cargos de grande importância social como a presidência dos Estados Unidos. 
Contudo, as marcas dessa história de sofrimento e luta estão, ainda, fortemente estampadas na língua inglesa dos Estados Unidos. Os afro-americanos criaram sua própria variante para preservar a identidade. Se por um lado falar diferente pode ser uma forma de defesa e preservação cultural, pode também trazer dificuldades. Desde os primeiros anos escolares, as crianças afro-americanas são orientadas a ajustarem seu modo de falar ao inglês padrão. Isso não quer dizer que elas precisem abandonar o modo como falam com seus pais e sua comunidade, mas sim que é necessário aprender a adaptar seu modo de se expressar às diferentes situações do dia a dia. 
Essa e tantas outras questões sociais relacionadas à língua são estudadas pela Sociolinguística. Nessa disciplina, passamos a observar e entender como as relações sociais se manifestam no modo de falar e, ao mesmo tempo, como a língua pode ser usada como instrumento de poder. Por exemplo: por que será que aqui no Brasil, que também foi escravista, os afro-brasileiros não criaram seu próprio jeito de se comunicar? Ao que parece, aqui as diferenças linguísticas – os sotaques – se devem mais a diferenças de poder aquisitivo e de região geográfica do que de cor da pele. Porém, da mesma forma que as escolas americanas, orientamos nossos alunos a ajustarem a sua forma de falar aos diferentes contextos sociais. Isso porque a participação em um grupo depende de uma língua comum que una os integrantes desse grupo. Assim, estudar a língua nesse aspecto faz com que percebamos que ela exerce um papel fundamental na constituição da identidade social, podendo unir ou separar grupos humanos. De fato, a língua tanto pode ser geradora de preconceito quanto de diálogo, colaboração e respeito mútuo.
Texto publicado no Jornal Gazeta do Sul dia 05 de agosto de 2013.
http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/418454-lingua_uma_expressao_de_cultura_e_poder/edicao:2013-08-05.html