segunda-feira, 30 de setembro de 2013
5º EXTRATOS
"Além das diferenças de quantidade e densidade de vocabulário existentes na língua oral e escrita, destacamos também a diferença de demanda de atenção e consciência exigidas pela leitura, que requer um movimento mais lento, de pensar a língua, integrar e compor as ideias expressas nas palavras." pg. 17
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Doutorado sanduíche no LRDC
O LRDC Learning Research and Development Center é o Centro de Pesquisa em Aprendizado e Desenvolvimento da Universidade de Pittsburgh - EUA. Este ano completa 50 anos de existência. Tenho o privilégio de estar atualmente fazendo meu doutorado sanduíche neste centro sob orientação do Prof. Charles Perfetti (http://www.pitt.edu/~perfetti/charles-perfetti.htm). Minha tese será sobre "Dificuldades de compreensão em leitura em nível léxico-semântico". Abaixo fotos do LRDC e o site.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Língua: uma expressão de cultura e poder
Lucilene Bender de Sousa *
lenebender10@gmail.com
lenebender10@gmail.com
Em janeiro deste ano tive o prazer de ser contemplada com uma bolsa de qualificação para professores de inglês da rede pública de ensino, oferecida pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e Fulbright (Comissão para intercâmbio educacional entre os Estados Unidos e o Brasil). Estudei por seis semanas na Universidade de Illinois Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. Sonhava há muitos anos com essa oportunidade. Aproveito este espaço para compartilhar um pouco do que aprendi sobre o que é mesmo uma língua, no período em que convivi com os americanos do norte.
A língua é uma forma de expressão cultural. Ela não só identifica diferentes grupos sociais como tem sua significação constituída através das relações entre eles. No Brasil, por exemplo, percebemos em cada estado diferentes marcas culturais como o sotaque e o vocabulário. Nos Estados Unidos, o que mais me chamou a atenção foi a variedade falada pelos afro-americanos, chamada de African American Vernacular English. Após estudar e ensinar inglês por vários anos, um dos maiores desafios foi entender o inglês falado pelos afro-americanos. No curso de qualificação, conversamos com a professora Adele Proctor, especialista no estudo dessa variedade. Ela explicou que o African American Vernacular English não é uma língua diferente, nem um dialeto. É uma variedade linguística com algumas características próprias do grupo pelo qual é utilizada. Distingue-se do inglês padrão em oito pontos que incluem diferenças de pronúncia, conjugação verbal, formação de plurais e uso do genitivo.
Além das diferenças linguísticas, também conversamos sobre questões socioculturais relacionadas aos afro-americanos. Nos Estados Unidos, a escravidão terminou em 1865. A libertação dos escravos foi alcançada à custa de muito sangue. Foi ela a principal razão da Guerra Civil americana (1861 a 1865). Abraham Lincoln, então presidente dos Estados Unidos, foi o principal responsável por essa conquista. Derrotados, os sete estados do sul que queriam a permanência da escravidão tiveram que ceder. No entanto, os rancores decorrentes do conflito permaneceram por longos anos, traduzindo-se em preconceito acirrado. Quase um século depois, em 1955, Martin Luther King iniciou o movimento pelos direitos dos afro-americanos (African-American Civil Rights Movement) que tinha como principal lema a não violência e a defesa de direitos iguais a todos os americanos. Os negros reivindicavam, por exemplo, poder frequentar as mesmas escolas e os mesmos restaurantes dos brancos, ter o direito de assento em todos os ônibus e poder votar e ser votado. Hoje, muitas coisas mudaram. Os afro-americanos conquistaram igualdade de direitos e assumiram cargos de grande importância social como a presidência dos Estados Unidos.
Contudo, as marcas dessa história de sofrimento e luta estão, ainda, fortemente estampadas na língua inglesa dos Estados Unidos. Os afro-americanos criaram sua própria variante para preservar a identidade. Se por um lado falar diferente pode ser uma forma de defesa e preservação cultural, pode também trazer dificuldades. Desde os primeiros anos escolares, as crianças afro-americanas são orientadas a ajustarem seu modo de falar ao inglês padrão. Isso não quer dizer que elas precisem abandonar o modo como falam com seus pais e sua comunidade, mas sim que é necessário aprender a adaptar seu modo de se expressar às diferentes situações do dia a dia.
Essa e tantas outras questões sociais relacionadas à língua são estudadas pela Sociolinguística. Nessa disciplina, passamos a observar e entender como as relações sociais se manifestam no modo de falar e, ao mesmo tempo, como a língua pode ser usada como instrumento de poder. Por exemplo: por que será que aqui no Brasil, que também foi escravista, os afro-brasileiros não criaram seu próprio jeito de se comunicar? Ao que parece, aqui as diferenças linguísticas – os sotaques – se devem mais a diferenças de poder aquisitivo e de região geográfica do que de cor da pele. Porém, da mesma forma que as escolas americanas, orientamos nossos alunos a ajustarem a sua forma de falar aos diferentes contextos sociais. Isso porque a participação em um grupo depende de uma língua comum que una os integrantes desse grupo. Assim, estudar a língua nesse aspecto faz com que percebamos que ela exerce um papel fundamental na constituição da identidade social, podendo unir ou separar grupos humanos. De fato, a língua tanto pode ser geradora de preconceito quanto de diálogo, colaboração e respeito mútuo.
Texto publicado no Jornal Gazeta do Sul dia 05 de agosto de 2013.A língua é uma forma de expressão cultural. Ela não só identifica diferentes grupos sociais como tem sua significação constituída através das relações entre eles. No Brasil, por exemplo, percebemos em cada estado diferentes marcas culturais como o sotaque e o vocabulário. Nos Estados Unidos, o que mais me chamou a atenção foi a variedade falada pelos afro-americanos, chamada de African American Vernacular English. Após estudar e ensinar inglês por vários anos, um dos maiores desafios foi entender o inglês falado pelos afro-americanos. No curso de qualificação, conversamos com a professora Adele Proctor, especialista no estudo dessa variedade. Ela explicou que o African American Vernacular English não é uma língua diferente, nem um dialeto. É uma variedade linguística com algumas características próprias do grupo pelo qual é utilizada. Distingue-se do inglês padrão em oito pontos que incluem diferenças de pronúncia, conjugação verbal, formação de plurais e uso do genitivo.
Além das diferenças linguísticas, também conversamos sobre questões socioculturais relacionadas aos afro-americanos. Nos Estados Unidos, a escravidão terminou em 1865. A libertação dos escravos foi alcançada à custa de muito sangue. Foi ela a principal razão da Guerra Civil americana (1861 a 1865). Abraham Lincoln, então presidente dos Estados Unidos, foi o principal responsável por essa conquista. Derrotados, os sete estados do sul que queriam a permanência da escravidão tiveram que ceder. No entanto, os rancores decorrentes do conflito permaneceram por longos anos, traduzindo-se em preconceito acirrado. Quase um século depois, em 1955, Martin Luther King iniciou o movimento pelos direitos dos afro-americanos (African-American Civil Rights Movement) que tinha como principal lema a não violência e a defesa de direitos iguais a todos os americanos. Os negros reivindicavam, por exemplo, poder frequentar as mesmas escolas e os mesmos restaurantes dos brancos, ter o direito de assento em todos os ônibus e poder votar e ser votado. Hoje, muitas coisas mudaram. Os afro-americanos conquistaram igualdade de direitos e assumiram cargos de grande importância social como a presidência dos Estados Unidos.
Contudo, as marcas dessa história de sofrimento e luta estão, ainda, fortemente estampadas na língua inglesa dos Estados Unidos. Os afro-americanos criaram sua própria variante para preservar a identidade. Se por um lado falar diferente pode ser uma forma de defesa e preservação cultural, pode também trazer dificuldades. Desde os primeiros anos escolares, as crianças afro-americanas são orientadas a ajustarem seu modo de falar ao inglês padrão. Isso não quer dizer que elas precisem abandonar o modo como falam com seus pais e sua comunidade, mas sim que é necessário aprender a adaptar seu modo de se expressar às diferentes situações do dia a dia.
Essa e tantas outras questões sociais relacionadas à língua são estudadas pela Sociolinguística. Nessa disciplina, passamos a observar e entender como as relações sociais se manifestam no modo de falar e, ao mesmo tempo, como a língua pode ser usada como instrumento de poder. Por exemplo: por que será que aqui no Brasil, que também foi escravista, os afro-brasileiros não criaram seu próprio jeito de se comunicar? Ao que parece, aqui as diferenças linguísticas – os sotaques – se devem mais a diferenças de poder aquisitivo e de região geográfica do que de cor da pele. Porém, da mesma forma que as escolas americanas, orientamos nossos alunos a ajustarem a sua forma de falar aos diferentes contextos sociais. Isso porque a participação em um grupo depende de uma língua comum que una os integrantes desse grupo. Assim, estudar a língua nesse aspecto faz com que percebamos que ela exerce um papel fundamental na constituição da identidade social, podendo unir ou separar grupos humanos. De fato, a língua tanto pode ser geradora de preconceito quanto de diálogo, colaboração e respeito mútuo.
http://www.gaz.com.br/gazetadosul/noticia/418454-lingua_uma_expressao_de_cultura_e_poder/edicao:2013-08-05.html
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Resenha Aprendendo palavras através da leitura
Em Aprendendo palavras através da leitura, uma obra direcionada ao ensino de língua materna – especialmente no que tange à leitura –, as autoras Lucilene Bender de Sousa e Rosângela Gabriel defendem a tese de que a falta de conhecimento lexical configura um dos fatores do baixo desempenho dos estudantes brasileiros em testes de leitura. Segundo as pesquisadoras, o que se percebe é que esses estudantes apresentam um nível de leitura apenas superficial, sabem decodificar, mas por não estabelecerem relações e por não produzirem inferências a respeito do conteúdo implícito, não compreendem em profundidade o que leem.
Para quem quiser saber mais sobre o livro APRENDENDO PALAVRAS ATRAVÉS DA LEITURA, aqui está uma resenha publicada na Revista Linguagem e Ensino, v. 16, 2013:
http://www.rle.ucpel.tche.br/index.php/rle/article/view/793/667
Para quem quiser saber mais sobre o livro APRENDENDO PALAVRAS ATRAVÉS DA LEITURA, aqui está uma resenha publicada na Revista Linguagem e Ensino, v. 16, 2013:
http://www.rle.ucpel.tche.br/index.php/rle/article/view/793/667
Para saber mais: os neurônios da leitura
Resenha de minha autoria publicada na Revista Linguagem e Ensino v. 16, 2013.
O livro “Os neurônios da leitura”, lançado em 2012 pela editora Penso, é uma tradução do original “Les Neurones de la Lecture”, publicado em 2007 por Stanislas Dehaene, professor de Psicologia Cognitiva Experimental na Collège de France e Diretor da Unidade de Neuroimagem Cognitiva. A tradução do livro foi feita pela renomada linguista, Dr. Leonor Scliar Cabral, Professora Emérita da Universidade Federal de Santa Catarina, o que confere qualidade à tradução e adaptação dos exemplos ao sistema linguístico do português brasileiro. O livro tem sido reconhecido por professores e pesquisadores da leitura como uma das mais importantes fontes de pesquisa sobre o tema da atualidade. A começar pelo sumário, vemos o quão ambicioso é o autor. Ele se propõe a responder às grandes questões investigadas pela ciência da leitura há décadas, sendo a principal: como lemos. Já na introdução, Dehaene fala dos instrumentos tecnológicos que têm permitido explorar o funcionamento do cérebro in vivo durante atividades cognitivas complexas como a leitura e, consequentemente, responder questões que antes pareciam impossíveis. O que esses estudos têm revelado? Vejamos brevemente o conteúdo dos capítulos: http://www.rle.ucpel.tche.br/index.php/rle/article/view/794/668
O livro “Os neurônios da leitura”, lançado em 2012 pela editora Penso, é uma tradução do original “Les Neurones de la Lecture”, publicado em 2007 por Stanislas Dehaene, professor de Psicologia Cognitiva Experimental na Collège de France e Diretor da Unidade de Neuroimagem Cognitiva. A tradução do livro foi feita pela renomada linguista, Dr. Leonor Scliar Cabral, Professora Emérita da Universidade Federal de Santa Catarina, o que confere qualidade à tradução e adaptação dos exemplos ao sistema linguístico do português brasileiro. O livro tem sido reconhecido por professores e pesquisadores da leitura como uma das mais importantes fontes de pesquisa sobre o tema da atualidade. A começar pelo sumário, vemos o quão ambicioso é o autor. Ele se propõe a responder às grandes questões investigadas pela ciência da leitura há décadas, sendo a principal: como lemos. Já na introdução, Dehaene fala dos instrumentos tecnológicos que têm permitido explorar o funcionamento do cérebro in vivo durante atividades cognitivas complexas como a leitura e, consequentemente, responder questões que antes pareciam impossíveis. O que esses estudos têm revelado? Vejamos brevemente o conteúdo dos capítulos: http://www.rle.ucpel.tche.br/index.php/rle/article/view/794/668
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Educação para a leitura
No site http://www.trelease-on-reading.com/brochures.html encontramos muito material sobre as pesquisas desenvolvidas por Jim Trelease nos EUA. Em http://www.trelease-on-reading.com/brochures.html estão disponibilizadas brochuras com material de leitura e instrução para país sobre a melhor forma de ler para as crianças. Foi onde encontrei o seguinte excerto:
Os pais decidem o que proporcionar aos seus filhos, fazendo escolhas entre comprar o último vídeo game ou comprar a eles livros. Alguns enxergam apenas o agora e optam por comprar os bens de consumo da moda. Outros enxergam além e optam por comprar aquilo que vai realmente fazer a diferença na vida de seus filhos. Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de escolha, como vemos no depoimento acima. Em inglês a palavra "parenting" designa os cuidados paternais e maternais. Não temos um equivalente em português. No entanto, podemos nos apropriar do conceito. Optar pela educação, e não pelo consumo, é verdadeiramente exercer sua função de "parenting" de ser pai e mãe.
Os pais decidem o que proporcionar aos seus filhos, fazendo escolhas entre comprar o último vídeo game ou comprar a eles livros. Alguns enxergam apenas o agora e optam por comprar os bens de consumo da moda. Outros enxergam além e optam por comprar aquilo que vai realmente fazer a diferença na vida de seus filhos. Não é uma questão de dinheiro, é uma questão de escolha, como vemos no depoimento acima. Em inglês a palavra "parenting" designa os cuidados paternais e maternais. Não temos um equivalente em português. No entanto, podemos nos apropriar do conceito. Optar pela educação, e não pelo consumo, é verdadeiramente exercer sua função de "parenting" de ser pai e mãe.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
6º Para saber mais: Portal de Periódicos da CAPES
O
Portal de Periódicos, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (CAPES), oferece acesso às mais importantes publicações
científicas produzidas no mundo. A partir de quatro tipos de busca –
assunto, periódico,
livro e base de dados – você pode explorar o universo de informações
disponíveis nas diversas áreas do conhecimento para desenvolver e
aperfeiçoar sua pesquisa científica.
Além
de democratizar e facilitar o acesso à ciência mundial, o Portal de
Periódicos possui papel fundamental como política de Estado, estimulando
as pesquisas no país e contribuindo para a internacionalização da
ciência brasileira,
o que tem contribuído para uma maior participação do Brasil no ranking
da produção científica internacional. Dessa forma, tanto os
pesquisadores quanto suas pesquisas ganham maior visibilidade.
Por
se tratar de uma biblioteca virtual, o Portal de Periódicos pode ser
acessado por acesso remoto ou a partir de qualquer computador localizado
nas mais de 420 instituições de ensino e pesquisa brasileiras. Essas
instituições
possuem acesso gratuito ao conteúdo de alta qualidade assinado junto às
principais Editoras e associações científicas internacionais.
Atualmente o acervo do Portal de Periódicos da Capes é composto por:
|
Acesse o Portal de Periódicos no endereço http://www.periodicos.capes.gov.br/ e explore todo o conteúdo disponível.
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