domingo, 22 de novembro de 2020

Dificuldades de compreensão leitora em estudantes concluintes do Ensino Fundamental

 

Dificuldades de compreensão leitora em estudantes concluintes do Ensino Fundamental

Lucilene Bender de Sousa, Lilian Cristine Hübner

Resumo


O ensino e a aprendizagem da leitura são temas constantemente debatidos, especialmente nas séries iniciais. Entretanto, observa-se que mesmo após oito anos de educação formal, há um percentual considerável de estudantes que saem da escola com dificuldades de compreensão leitora. Neste estudo, objetivamos identificar esses estudantes e investigar as suas dificuldades, comparando-os com bons leitores da mesma escolaridade. Para isso, realizamos o processo de seleção dos grupos e, posteriormente, examinamos seus desempenhos em duas tarefas: leitura de palavra isolada e compreensão leitora. Ao final do processo de seleção, identificamos 14% de bons leitores e 11% de leitores com dificuldades de compreensão. Os grupos mostraram diferença significativa no desempenho de palavras irregulares e pseudopalavras, assim como no desempenho em questões literais e inferenciais. Os resultados sugerem que os leitores com dificuldades de compreensão ainda apresentam fragilidades tanto em processos mais básicos quanto mais complexos da leitura.

Palavras-chave


compreensão leitora; leitura de palavra; dificuldades de leitura.


Acesso ao artigo completo em: 10.17058/signo.v44i81.13957

segunda-feira, 13 de abril de 2020

Traçando o perfil de bons leitores e de leitores com dificuldades de compreensão

Resumo: Este artigo traça e compara o perfil de leitores com dificuldades de compreensão leitora (LDC) e bons leitores (BL). Avaliando a leitura de palavras isoladas e a compreensão de texto escrito, foram identificados 49 BL e 37 LDC dentre 336 estudantes de 8ª série de escolas públicas na região sul do Brasil, excluindo da análise o grupo de desempenho intermediário. A investigação do perfil dos grupos utilizou um questionário escrito a que os participantes responderam. Os resultados mostram diferença na experiência dos grupos com a leitura e correlação positiva entre o desempenho em compreensão leitora e o número de livros lidos pelos estudantes ao longo de um ano. O estudo constata que a pesquisa sobre os hábitos de leitura dos grupos pode auxiliar na compreensão das diferenças no perfil de BL e LDC, necessitando ser expandida futuramente para orientar tanto estudos teóricos quanto práticos de intervenção clínica e pedagógica.

Palavras-chave: Compreensão leitora. Hábitos de leitura. Estratégias de leitura. Perfil leitor

Artigo completo disponível em http://www.portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_Discurso/article/view/7589/4902

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Dificuldades de compreensão leitora em estudantes concluintes do Ensino Fundamental

Lucilene Bender de Sousa, Lilian Cristine Hübner

Resumo



O ensino e a aprendizagem da leitura são temas constantemente debatidos, especialmente nas séries iniciais. Entretanto, observa-se que mesmo após oito anos de educação formal, há um percentual considerável de estudantes que saem da escola com dificuldades de compreensão leitora. Neste estudo, objetivamos identificar esses estudantes e investigar as suas dificuldades, comparando-os com bons leitores da mesma escolaridade. Para isso, realizamos o processo de seleção dos grupos e, posteriormente, examinamos seus desempenhos em duas tarefas: leitura de palavra isolada e compreensão leitora. Ao final do processo de seleção, identificamos 14% de bons leitores e 11% de leitores com dificuldades de compreensão. Os grupos mostraram diferença significativa no desempenho de palavras irregulares e pseudopalavras, assim como no desempenho em questões literais e inferenciais. Os resultados sugerem que os leitores com dificuldades de compreensão ainda apresentam fragilidades tanto em processos mais básicos quanto mais complexos da leitura.


Palavras-chave



compreensão leitora; leitura de palavra; dificuldades de leitura.


quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Da passividade à postura ativa: o que o ensino híbrido traz em favor da aprendizagem e aprimoramento do ensino médio

Resumo

João Volmei Guerra Spagnol
Lucilene Bender de Sousa
Fernanda Schneider

O presente artigo resulta da proposta em estudar alternativas de mudança no formato das aulas expositivas predominantes em escolas públicas trazendo como opções os métodos relacionados ao ensino híbrido (CHRISTENSEN, 2013; HORN; STAKER, 2015; BACICH; TANZI NETO; TREVISANI, 2015). A combinação do ensino tradicional com o ensino on-Iine torna viável esse caminho para a educação, já empregada no Brasil e no mundo. A pesquisa bibliográfica de caráter qualitativo partiu da questão norteadora sobre possíveis avanços que o emprego de ensino híbrido traz ao aluno ao colocá-lo na posição de protagonista na construção de seu conhecimento. Assim, pretendemos investigar caminhos para a sua aplicação no ensino médio em escolas públicas. Os modelos disruptivos trazem ações inovadoras em todos os sentidos, redesenhando o projeto, os espaços físicos e as metodologias. Porém, modelos sustentados preservam a sala de aula tradicional, que é potencializada pelo acréscimo de componentes tecnológicos e pela criatividade do professor. Para implementar um desses modelos é importante realizar um planejamento eficaz e considerar as características dos alunos, cultura escolar, dispositivos tecnológicos e instalações disponíveis.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Áudio para tarefas de compreensão auditiva


Em nossa tese, investigamos a relação entre compreensão leitora, conhecimento e integração léxico-semântica. Desenvolvemos tarefas de compreensão discursiva, escrita e auditiva, para estudantes de 8ª série. Disponibilizamos o áudio das tarefas de forma que possam ser utilizadas juntamente com as questões em pesquisas futuras.


https://drive.google.com/drive/folders/17q5adi7Sv57TFq00cYKOUcZ-L3UVAwvi?usp=sharing

quinta-feira, 7 de março de 2019

Formação de leitores

Neste excelente vídeo https://www.youtube.com/watch?v=DUbDl--B4Uk&t=2s Denise Guilherme fala sobre a formação de leitores, em especial, de professores leitores. Além disso, ela apresenta brevemente o seu blog A Taba que possui dicas para pais e professores para incentivo da leitura.

segunda-feira, 19 de março de 2018

O LUGAR DA FALA E SEUS GÊNEROS NAS AULAS DE LÍNGUA PORTUGUESA

Resumo: Neste trabalho, buscamos inicialmente refletir sobre como a fala vem sendo abordada na escola. Em seguida, apresentamos brevemente a concepção que diferentes correntes teóricas como a enunciação, os atos de fala e a sociolinguística têm sobre a fala e seu papel social, buscando assim embasamento para o ensino mais efetivo dos gêneros orais nas aulas de Língua Portuguesa. Por fim, abordamos o potencial metodológico do interacionismo para o ensino da fala e as possibilidades de trabalho com seus diferentes gêneros. Entendemos que a comunicação oral ainda é a principal forma de interação do homem na sociedade e por isso não pode ser negligenciada pela escola. 

Artigo completo disponível em http://periodicos.unitau.br/ojs-2.2/index.php/caminhoslinguistica/article/view/2220/1766

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

O perfil do leitor com dificuldades de compreensão e do bom leitor

As  pesquisas  que  visam  explicar  as  dificuldades  de  leitura  muitas  vezes  não
conseguem identificar uma homogeneidade no perfil de leitores com dificuldades
de compreensão (LDC) cuja principal característica  é o déficit na compreensão
leitora apesar de sua boa decodificação. A maioria  das investigações exploram os
fatores  cognitivos  como  memória  e  vocabulário.  Poucas  se  interessam  em
identificar  o  perfil  dos  LDC  através  da  avaliação  de  outros  aspectos  como  os
hábitos de leitura. Neste trabalho, buscamos traçaro perfil de LDC e compará-lo
com o perfil de bons leitores (BL) de modo a poder  verificar se além das diferenças
de  desempenho,  já  conhecidas,  os  grupos  também  se  distinguem  em  outros
aspectos relacionados à leitura. A partir da seleção, que envolveu a avaliação da
leitura  de  palavra  isolada  e  a  avaliação  da  compreensão  de  texto  escrito,
identificamos 49 BL e de 37 LDC dentre 336 estudantes de 8ª série. A investigação
do  perfil  dos  grupos  foi  realizada  por  meio  de  um  questionário  escrito  que  os
próprios participantes responderam. Os dados revelaram diferença na experiência
dos grupos com a leitura, sendo essa significativa  na autoavaliação, interesse,
frequência de leitura e número de livros lidos. Confirmamos que os LDC têm um
perfil mais heterogêneo do que os BL, o que torna difícil a generalização de suas
características. Além disso, verificamos a existência de correlação positiva entre
o  desempenho  em  compreensão  leitora  e  o  número  de  livros  lidos  pelos
estudantes. Por fim, constatamos que o questionárioé um importante instrumento
de pesquisa que pode auxiliar na compreensão das diferenças entre BL e LDC,
necessitando  ser  expandido  futuramente  para  orientar  tanto  estudos  teóricos
quanto intervencionistas e até mesmo a prática pedagógica.

Resumo publicado em:
(Per)cursos (Inter)disciplinares em Letras :: ISSN 2175-1978 :: UNISC, 2017
http://www.unisc.br/site/coloquio2017/

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Diferentes visões e componentes da compreensão leitora



Profa. Dra. Lucilene Bender de Sousa
Profa. Dra. Lilian Cristine Hübner

A compreensão é um processo cognitivo amplo que ocorre em diferentes níveis de consciência quando nos deparamos com fatos, movimentos, objetos, imagens, sons, letras, etc. Assim que nossos órgãos capturam esses sinais externos, nosso cérebro parece buscar um sentido para eles, o que ocorre principalmente por meio da conexão desses sinais com nossas memórias, conhecimentos e experiências prévias. Parece que estamos sempre tentando reconhecer padrões. Um exemplo disso é quando vemos um desenho e tentamos determinar com o que ele se parece. A compreensão, portanto, depende muito da memória e das relações que estabelecemos entre o novo e o velho. De certa forma, pode ser considerada subjetiva, já que depende das experiências, as quais são únicas para cada indivíduo. Ao mesmo tempo, também pode ser coletiva porque o indivíduo é constantemente influenciado pelo meio social onde vive e faz a sua história. A compreensão em seus múltiplos aspectos cognitivos e sociais, subjetivos e racionais, é um processo que perpassa muitas tarefas cotidianas, desde a comunicação oral, a leitura, a escrita, o cálculo, até o aprendizado de modo geral.
Apesar de sua amplitude, a compreensão é pouco estudada fora da modalidade escrita, na qual se (con)funde com a noção de leitura. A compreensão em leitura se diferencia das demais por sua especificidade linguística. Mas o que é, afinal, a leitura? Existem muitos conceitos de leitura dependendo do ponto de vista que se adota: linguístico, cognitivo, social, literário, fenomenológico, etc. (LEFFA, 1996). Nossa visão fundamenta-se nas interfaces da psicologia cognitiva com a linguística, em uma área denominada psicolinguística. Por meio dessas interfaces, buscaremos abordar as questões introdutórias sobre o tema: seria a leitura apenas o reconhecimento das palavras, como sugere Kamhi (2009b)? Seria apenas a compreensão, a construção de sentido, como propõe Smith (2003)? Ou seria uma combinação dessas duas habilidades, como indica a Visão Simples da Leitura (Simple View of Reading) de Gough e colegas (1996)? Teoricamente, as posturas com relação à leitura e à compreensão variam das mais restritas às mais abrangentes, como explicamos a seguir.

O TEXTO NA ÍNTEGRA ESTÁ PUBLICADO NO LIVRO: 

http://www.insular.com.br/loja3/product_info.php/products_id/1060

 



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Artigo sobre falsas memórias, leitura e escrita

Complementary Cognitive and Social Perspectives in the Study of False Memory in Reading and Writing

Onici Claro Flôres, Rosane Maria Cardoso, Lucilene Bender de Sousa 


This paper aims to discuss the interdisciplinary nature of memory research, exploring how cognitive and social approaches can be complementary in the study of memory, reading, and writing. We discuss two different phenomena to state our hypothesis: thematic distortions of reading texts and testimonial literature, and writing process about authoritarianism, social violence, and destruction. At the beginning, we introduce reading and memory in cognitive and social perspectives. After that, we explain implicit false memories and social memory. Finally, we suggest that to (re)construct social life it is necessary to compare different individual memories about it taking conclusions through the confrontation of various versions. In this way, remembering what happens is also a social matter, not an individual one, exclusively. To conclude, we propose that strong false memories that affect individual’s reasoning may result in text theme distortions or elaborations of new versions for some social event.


Key Words: false memories, social memory, reading, writing, thematic distortions, testimonial literature.


Acesso ao artigo em:
http://ijllnet.com/journal/index/2290

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A relação entre compreensão leitora, conhecimento e integração léxico-semântica (tese)

A tese foi defendida em novembro de 2015 e está disponível no site http://repositorio.pucrs.br/dspace/handle/10923/7740


RESUMO: A leitura é uma das principais formas de aquisição do conhecimento. Inicialmente a criança aprende a ler e depois lê para aprender, por isso o ensino da leitura é um dos objetivos centrais da educação formal. Entretanto, sabe-se que muitos estudantes chegam ao final do Ensino Fundamental com sérias dificuldades em leitura. As pesquisas nacionais têm concentrado esforços na investigação dos problemas de alfabetização, porém, poucas têm se dedicado ao estudo das dificuldades de compreensão leitora. Diante dessa carência, esta tese busca investigar a relação entre compreensão leitora, conhecimento e integração léxico-semântica em leitores do último ano do Ensino Fundamental de escolas públicas. Apesar de alguns estudantes ainda apresentarem problemas na leitura de palavras nos anos escolares finais, sabe-se que para a maioria a compreensão textual é o grande desafio, uma vez que interfere no desempenho de todas as disciplinas escolares. Mas por que alguns leitores, embora decodifiquem bem, não compreendem o que leem? Pesquisas apontam para a possibilidade de existência de déficit léxico-semântico em leitores com dificuldades de compreensão (NATION; SNOWLING, 1998; PERFETTI; HART, 2002). Para investigar essa questão, três estudos foram realizados: o Estudo A averiguou a profundidade do conhecimento de vocabulário, memória semântica implícita e habilidade de processamento léxico-semântico em bons leitores e leitores com dificuldades de compreensão; o Estudo B examinou o desempenho dos dois grupos em duas tarefas de integração léxico-semântica; e o Estudo C investigou se os leitores com dificuldades de compreensão respondem melhor a questões de compreensão leitora quando essas são antecedidas de glossário e tarefa de integração léxico-semântica. Os resultados confirmaram a hipótese de déficit léxico-semântico ao revelarem que tanto a profundidade do conhecimento do vocabulário quanto a habilidade de processamento e integração léxico-semântica foram significativamente inferiores em leitores com dificuldades de compreensão. No entanto, não corroboraram a existência de diferenças na memória semântica implícita, uma vez que ambos os grupos exibiram efeito de priming semântico. Os leitores com dificuldades de compreensão se beneficiaram da realização de tarefas de integração léxico-semântica acompanhada de glossário, bem como de integração global antes de responderem a questões de compreensão, exibindo maior percentual de acertos nessas condições quando comparadas a uma tarefa controle. Esta tese contribui para a pesquisa das dificuldades de compreensão em leitura, especialmente no Brasil, onde essa área de estudo ainda é pouco desenvolvida. Além disso, incita uma discussão de possíveis caminhos de intervenção pedagógica, servindo de fonte de consulta para docentes que buscam entender as dificuldades de compreensão leitora de seus alunos e auxiliá-los a superá-las.

ABSTRACT: Reading is one of the main ways of acquiring knowledge. Initially, children learn to read and then they read to learn, for this reason literacy is one of the central goals of formal education. However, it is acknowledgeable that a lot of students have serious reading problems at the end of Elementary School. National research has concentrated efforts in investigating literacy problems, but little research has been dedicated to the study of reading comprehension difficulties. Towards this need, this thesis aims at investigating the relationship between reading comprehension, lexical-semantic knowledge and integration in students from public schools at the end of the Elementary education. Although some students still have problems with word reading at the last year of school, their major challenge is text comprehension, since it interferes with performance in all school subjects. But why do not some readers, despite their good decoding skill, understand what they read? Research points to the possibility of a lexical-semantic deficit in poor comprehenders (NATION; SNOWLING, 1998; PERFETTI; HART, 2002). Based on this assumption, three studies were conducted: Study A inquired into the depth of vocabulary knowledge, implicit semantic memory and lexical-semantic processing skill of good and poor comprehenders; study B examined the group’s performance in two tasks requiring lexical-semantic integration; and study C investigated whether poor comprehenders provide better response to comprehension questions when they are preceded by a glossary and a lexical-semantic integration task. The results confirmed the lexical-semantic deficit hypothesis since the depth of vocabulary knowledge as well as the ability of word-to-text integration were significantly inferior in poor comprehenders as compared to good ones.Nevertheless, the results did not corroborate implicit memory differences as both groups benefited from lexical-semantic integration task followed by a glossary, as well as from a global integration task before answering comprehension questions; they exhibited better comprehension in these tasks when compared to a control one. This thesis contributes to reading comprehension difficulties research, especially in Brazil, where this study field is still underdeveloped. Moreover, it urges the discussion on possible pedagogical interventions, serving as a reference for teachers that seek to understand their students’ reading comprehension difficulties and help them.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Does the mental lexicon exist?

Does the mental lexicon exist?

 Lucilene Bender de Sousa
Rosângela Gabriel


Resumo: Um dos componentes mais centrais e intrigantes do processamento da linguagem para os pesquisadores é o léxico mental. O termo foi usado pela primeira vez por Ann Triesman em 1961 e até o momento não temos respostas claras sobre como ele é estruturado e quanta informação contém, ou mesmo se existe algo a ser chamado de léxico mental. Durante algum tempo, o léxico mental foi comparado a um dicionário mental, responsável por armazenar e organizar o conhecimento de palavras; entretanto, certamente há distinções em termos de estrutura e quantidade / qualidade de informação armazenada. Alguns pesquisadores acreditam que existem vários léxicos, um para cada nível de informação (ULLMAN, 2007): léxico ortográfico, fonológico, semântico e sintático. Outro grupo de pesquisadores (MCCLELLAND; ROGERS, 2003; SEIDENBERG, 1997, etc.) defende a existência de apenas um léxico no qual todos os níveis de informação estão integrados. Recentemente, Elman (2009) apresentou uma nova e audaciosa proposta: a inexistência do léxico mental. Neste artigo, discutimos as diferentes perspectivas de estrutura e conteúdo do léxico mental com o propósito de questionar a arquitetura do conhecimento lexical no cérebro em contrapartida ao que pode ser conscientemente concebido como conhecimento lexical do falante. Procuramos dar continuidade à discussão proposta por Elman e confrontá-la com dados obtidos por estudos comportamentais, computacionais e de neuroimagem. Esta revisão teórica explica brevemente a evolução das concepções sobre o léxico mental desde a proposta da analogia ao dicionário até a proposta de sua inexistência.

Palavras-chave: conhecimento linguístico; léxico mental; arquitetura em rede; processamento da linguagem; descrição da linguagem.

Abstract: One of the central and most intriguing components of language processing to researchers is the mental lexicon. The term was used for the first time by Ann Triesman in 1961 and we still do not have clear answers on how it is structured and how much information it contains, or even if there is something to be called a mental lexicon. For some time, the mental lexicon has been compared to a mental dictionary both storing and organizing word knowledge; however, they are surely different in structure and quantity / quality of information. Neuroimaging studies have also tried to bring contributions to these questions. Some researchers believe that there are many lexicons, one for each level of stored information (ULLMAN, 2007): orthographic, phonological, semantic and syntactic lexicons. Another group of researchers (MCCLELLAND; ROGERS, 2003; SEIDENBERG, 1997, etc.) postulates the existence of only one lexicon where all information levels are integrated. Recently, a new audacious proposal has been done by Elman (2009), the inexistence of a mental lexicon. In this paper, we discuss the different views of the mental lexicon structure and content, in order to question the architecture of the lexical knowledge in the brain as opposed to what can be consciously thought as the speaker’s lexical knowledge. We try to proceed on the discussion of Elman’s new proposal and confront it to data obtained by behavioral, neuroimaging and computational studies. This theoretical review briefly explains the evolution of the mental lexicon conceptions from the dictionary-like to the no-lexicon proposal.

Keywords: linguistic knowledge; mental lexicon; network architecture; language processing; language description.

Artigo completo publicado na Revista de Estudos da Linguagem, Belo Horizonte, v. 23, n.2, p. 335-361, 2015 http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/relin/article/view/5642

sábado, 19 de setembro de 2015

Projeto Leitura + Neurociências

O site http://www.leituramaisneurociencias.com/ divulga as ações, publicações, softwares e cursos para professores e pesquisadores interessados no tema: leitura e neurociência.

Além do site, outra forma de conhecer mais sobre o assunto é assistir o programa Café Filosófico com a coordenadora Prof. Angela Naschold https://www.youtube.com/watch?v=kWZGbDNQDRM


segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Comparing good and poor readers' comprehension

COMPARING GOOD AND POOR READERS’ COMPREHENSION
Lucilene Bender de Sousa (PUCRS – Brazil)
Lilian Cristine Hübner (PUCRS – Brazil)


Reading comprehension is a multicomponent process that requires the efficiency of text-based
representation and the construction of a situational model (KINTSCH, 1998). The first highly
relies on word recognition, linguistic knowledge and memory capacity. The second depends
more on world knowledge, integration and inference generation. A good text understanding is
reached  when  readers  are  able  to  represent  the  mainpropositions in memory but also to
integrate the text content to their previous knowledge and experience. This research aims to
investigate  if  good  and  poor  readers’  comprehensiondiffers on text-based representation
and/or  situational  model  by  assessing  their  readingcomprehension through literal and
inferential questions in reading and listening comprehension tasks. The participants were 139
students at the 8th grade of public schools recruited from a group of 336 8th graders. They all
accomplished a reading and a listening comprehension task with 6 texts (3 oral and 3 written)
each followed by 5 multiple choice questions, summing up 30 points, 15 for each tasks. The
groups were classified according to their performance in the reading task: good readers had
scores  at  least  1  standard  deviation  above  the  meanand poor readers at least 1 standard
deviation  below  the  mean.  After  selecting  the  groups,  their  performance  on  literal  and
inferential questions was compared. The comparisonswere done by non-parametric statistical
tests, as the variables were not normally distributed. The results showed that both groups were
better  answering  literal  questions  as  compared  to  inferential  ones  on  reading  (Z  =  -  6,97;
p  =  0,001)  and  on  listening  (Z  =  -2,80;  p  =  0,001) task.  Table  1  presents  the  means  and
standard  deviations  of  the  percentage  of  right  answers  for  each  group.  Good  readers  had
significant better performance in literal and inferential questions.





The  results  seem  to  confirm  the  hypothesis  that  poor  readers  have  difficulty  in  inference
generation.  According  to  Kintsch’s  Construction  Integration  theory,  building  a  coherent
situational model is a complex task and may be  challenging even  for  good readers. On the
other hand, it was surprising that poor readers also have low performance on literal questions,
which reflects problems on text-based representation. This study showed that Brazilian young
readers with low reading ability even after eight  years of formal education still struggle on
basic  reading  processes  as  text-based  representation.  It  also  shows  that  poor  readers  have
difficulty in generating inferences while resolvingreading and listening comprehension tasks.
These results have important educational implications pointing to the necessity of providing
poor readers with instruction on complex as well ason simple reading processes. Moreover,
instruction on inference generation may be extendedto oral text comprehension activities.




REFERENCE
Kintsch,  W.  (1998). Comprehension: a  paradigm  for  cognition.  Cambridge:  Cambridge
University Press.






Trabalho apresentado no 3rd Apoll International Psycholinguistics Congress - anais completos disponível em http://ipcinrio.sciencesconf.org/resource/page/id/18



terça-feira, 5 de maio de 2015

Desafios na avaliação da compreensão leitora

Lucilene Bender de Sousa
Lilian Cristine Hübner


Este  artigo  aborda  importantes  desafios  na  construção  de  tarefas  de  avaliação  da compreensão  leitora,  revisando  dois aspectos cruciais: as demandas cognitivas presentes nas tarefas e a leiturabilidade textual. Ao longo da revisão reflete -se sobre a complexidade envolvida na avaliação da compreensão leitora juntamente com os cuidados e os critérios a serem tomados quando da construção das tarefas em relação aos dois aspectos discutidos (demandas cognitivas e leiturabilidade). Na primeira parte, o artigo apresenta diferentes tipos de tarefas que buscam investigar o produto da compreensão leitora, destacando seus objetivos e limitações. Então, discute os processos cognitivos subjacentes que influenciam no produto da compreensão leitora como o reconhecimento de  palavra, o conhecimento prévio, as memórias e a habilidade de expressão verbal. Na segunda parte, aborda métodos quantitativos e qualitativos de análise da leiturabilidade dos textos, bem como os fatores  que  devem  ser  levados  em  consideração  quando  da  escolha  do  texto  para  compor  as  tarefas  avaliativas  da compreensão leitora. Por fim, conclui que, apesar dos progressos da pesquisa sobre leitura nas últimas décadas, a avaliação da compreensão leitora tem incorporado poucos desses avanços. Há uma lacuna em relação a estudos integrados capazes de promover a interface entre a pesquisa em leitura e a pesquisa em avaliação da compreensão leitora.
Palavras-chave: leitura; compreensão; cognição; leiturabilidade; avaliação.


Para ler o artigo completo acessar: http://neuropsicolatina.org/index.php/Neuropsicologia_Latinoamericana/index

quarta-feira, 25 de março de 2015

Entrevista sobre leitura

Esta entrevista foi concedida pela Prof. Lucilene Bender de Sousa a uma aluna do Curso de Comunicação Social da UNISC no ano de 2014.

 Como a leitura é vista atualmente?
Bem, depende de quem olha. A leitura é vista de diversas formas por diferentes grupos sociais e profissionais. Em geral, as pessoas restringem a noção de leitura aos textos literários, jornais e revistas. Certamente, eles são importantes, mas não podemos esquecer da funcionalidade da leitura em nosso cotidiano. Lemos o nome das ruas, o guia telefônico, as bulas de remédio, as embalagens. Lemos e escrevemos o tempo todo na internet, no celular, no tablete. A leitura é uma necessidade, pois por meio dela participamos nas atividades sociais e temos acesso ao conhecimento.

Quais são os benefícios para o aluno que gosta de ler?
Os alunos que gostam de ler melhoram seu raciocínio, sua memória e especialmente sua linguagem. Aprendem vocabulário e novas estruturas sintáticas e discursivas, como consequência, tornam-se leitores mais proficientes e passam a usar a língua de forma mais correta e criativa. Além dos benefícios linguísticos, os alunos que gostam de ler expandem seus horizontes, aumentam em muito seu conhecimento de mundo e seu conhecimento próprio.

De que forma os livros auxiliam no desenvolvimento da linguagem?
Os livros contêm uma modalidade linguística diferente da oral. Não escrevemos da forma que falamos. A escrita, portanto, não é uma simples tradução da fala. Os livros nos ajudam a conhecer esta que para muitos é uma “língua estrangeira”, a língua escrita: palavras novas, estruturas frasais mais complexas, recursos literários como as figuras de linguagem, etc. Bons leitores normalmente são bons escritores, pois conhecem as vastas possibilidades de uso da linguagem e são impulsionados a inovar a partir de suas experiências.

A facilidade que cada aluno tem para o aprendizado está relacionada com a quantidade de leitura que ele tem?
É bem possível que sim, principalmente na fase de aprendizado da leitura. Gosta de ler quem compreende o que lê. A dificuldade de compreensão certamente é um dos fatores que afastam muitos da leitura.

Quais são os processos envolvidos na construção de sentidos a partir da leitura?

Essa é uma das perguntas centrais da ciência da leitura. A resposta depende do ponto de vista teórico adotado. A construção de sentidos depende de dois processos simultâneos: os ascendentes, da palavra para o tema, e os descendentes, do tema para palavra. Os ascendentes iniciam com a decodificação, seguidos do reconhecimento das palavras e da ativação dos seus significados. Os descendentes envolvem a integração dos significados das palavras individuais ao tema do texto, aos conhecimentos prévios e às hipóteses de leitura. À medida que se lê, é preciso sintetizar os blocos de informações em ideias mais gerais que vão sendo integradas progressivamente à representação mental do texto.  

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Ensino do léxico por meio da leitura mediada

Os anais do SIELP - Simpósio Internacional de Ensino de Língua Portuguesa que aconteceu em 2014 em Uberlândia estão disponíveis online http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/. Nele é possível encontrar os trabalhos completos apresentados no evento. Inclusive o que apresentamos:

Ensino do léxico por meio da leitura mediada
http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/11/1156.pdf
 

Doutoranda Lucilene Bender de Sousai (PUCRS)
Prof. Dr. Rosângela Gabrielii (UNISC)

Resumo: Existe uma forte relação entre o conhecimento das palavras e a proficiência em leitura, o que vem sendo comprovado por inúmeras pesquisas. A leitura revela uma imensidão de palavras e possibilidades semânticas desconhecidas pelas crianças, inaugurando uma nova modalidade de interação e experiência com a língua materna. Constitui-se, assim, como um importante espaço de aprendizado de vocabulário porque apresenta as palavras em contextos significativos. Além de contribuir para a ampliação do conhecimento léxico-semântico, a leitura promove o desenvolvimento da atenção e consciência, possibilitando um movimento mais lento, de pensar a língua, integrar e compor as ideias expressas nas palavras. Neste trabalho, refletiremos sobre o uso da leitura mediada como caminho pedagógico para o ensino do léxico em língua materna e incremento da proficiência leitora. Primeiramente, explicaremos a natureza cognitiva da palavra e a importância de processos metacognitivos para o aprendizado lexical. Em seguida, descreveremos importantes estratégias de inferência lexical na leitura. Por fim, exploraremos de que forma a leitura mediada pode ser utilizada pelo professor no ensino de vocabulário. O uso desse recurso pedagógico tem a vantagem de ser de simples aplicação, pois não requer equipamentos ou investimentos, e permite ao professor trabalhar com dois pontos fundamentais para o aprendizado de palavras: a metacognição e as estratégias de inferência lexical. Além disso, a leitura mediada é agradável aos alunos, pois tem como essência a construção do conhecimento léxico-semântico por meio da interação em grupo. A leitura mediada tem potencial para gerar ampliação do léxico em língua materna e desenvolvimento na compreensão leitora, visto que tem como cerne o processo de pensar sobre a língua e seu uso coletivamente. Palavras-chave: ensino, léxico, leitura mediada, inferência, metacognição.